Impactos no setor automotivo em 2026 incluem juros e reforma tributária
Viveiros -
Há alguns temas que podem afetar o avanço dos resultados da indústria no Brasil e que precisam ser levados em consideração
O Brasil é o oitavo maior produtor mundial de veículos, representando cerca de 2,5% da produção global. O sócio líder do setor automotivo da KPMG no Brasil, Ricardo Roa, comenta sobre as perspectivas para a indústria. Segundo ele, há alguns temas que podem afetar o avanço dos resultados da indústria no Brasil e que precisam ser levados em consideração, entre eles, os reflexos dos juros e a reforma tributária.
“A taxa de juros em 15% influencia as operações e as perspectivas da indústria automotiva, que foram apontadas para baixo neste ano e poderão impactar os futuros negócios. Além de todos os desdobramentos geopolíticos, teremos desafios, nos próximos anos, após aprovação da reforma tributária que poderá afetar todos os setores e, principalmente, o automotivo. As empresas estão fortemente avaliando sua operação, cadeia de fornecedores, incentivos, créditos tributários, entre muitos outros aspectos operacionais para embarcar nas demandas de 2026 até 2032”, alerta.
De acordo com o sócio da KPMG, as principais tendências para o setor automotivo no próximo ano são as seguintes:
Pressão de custos e desempenho: enfrentar os desafios devido ao aumento dos preços de energia, matérias-primas e regulamentações. A recomendação é repensar estratégias de preços e melhorar a eficiência operacional.
Nova tecnologia e transformação digital: focar em inteligência artificial, conectividade e desenvolvimento de software, mudança de veículos definidos por hardware para definidos por software, flexibilidade e inovação na cadeia de valor.
Sustentabilidade e cadeias de suprimentos resilientes: priorizar a sustentabilidade, reduzir emissões de gases de efeito estufa, melhorar a eficiência de recursos, diversificar os fornecedores, regionalizar a produção e cumprir as metas ESG.
Produção flexível e modular: responder à demanda e produzir de forma eficiente diversos modelos de veículos. Essa adaptabilidade apoia o controle de custos, acelera o tempo de lançamento e aumenta a resiliência em ambientes voláteis.
Expectativas do cliente e vendas digitais: atender às expectativas e demandas dos clientes por experiências digitais integradas e serviços personalizados, investir em vendas digitais e dados para fortalecer a fidelidade à marca.
Urbanização crescente: solucionar gargalos relacionados à mobilidade compacta, flexível e integrada para atender à demanda de infraestrutura congestionada, pois até 2050, estima-se que 68% da população viverão em áreas urbanas.
Mudanças no comportamento: entender o comportamento do mercado, como a substituição de propriedade individual de veículos por modelos baseados em compartilhamento (carsharing, ridesharing) e assinatura, especialmente, entre as gerações mais jovens.
Ainda de acordo com o sócio, ainda há alguns temas que o setor precisa ter atenção, tais como: Programa de Mobilidade Verde e Inovação - Mover, que irá movimentar os investimentos do setor até 2029, com vistas em apoiar o desenvolvimento tecnológico, a integração nas cadeias globais de valor e a descarbonização, o qual está em andamento, mas precisa de algumas importantes regulamentações; valor do crédito, devido à variação de demanda no mercado interno e aumento da produção de carros; produção interna e exportação; guerra tarifária que pode vir a aumentar os custos tanto dos veículos importados quanto dos nacionais, além de gerar preocupação na movimentação das operações comerciais com alguns países; e o IPI verde, que fará a combinação de preço mais barato (dos carros populares) com eficiência energética e a densidade industrial, e que posteriormente a partir de 2027 passará a operar na modalidade de Imposto Seletivo, tema que será muito debatido no próximo ano para este setor.
"O setor automotivo entende à necessidade de avançar em tecnologias de novas propulsões focadas em ajustes de frota, visando à sustentabilidade e descarbonização. O Brasil vem retomando espaço de crescimento e os futuros anúncios para a indústria poderão transformar e diversificar os modelos direcionados para eletrificação. É normal que, neste caminho de transformação, ocorram preocupações de equilíbrio entre mudança de rota tecnológica e poder aquisitivo, aceleração e equilíbrio entre novos portfólios e a infraestrutura nacional. A recomendação é se antecipar, pois globalmente novos entrantes no mercado poderão substituir fabricantes tradicionais, caso não acompanhe a nova jornada”, conclui.
Karina de Figueiredo Lino <karina.figueiredo@viveiros.com.br>