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Importação de filtros no Brasil: custos cambiais, tecnologia e oportunidades de nacionalização

Num cenário de elevação do volume importado e aumento de custos em dólar, o mercado brasileiro de filtros — automotivos, industriais, de água e purificadores — vive tensões que desafiam importadores, fabricantes locais e consumidores


Importação de filtros no Brasil: custos cambiais, tecnologia e oportunidades de nacionalização

Num cenário de elevação do volume importado e aumento de custos em dólar, o mercado brasileiro de filtros — automotivos, industriais, de água e purificadores — vive tensões que desafiam importadores, fabricantes locais e consumidores. A fragilidade cambial, somada à exigência crescente por inovação e qualidade, cria um ponto de inflexão para quem opera nesse mercado.
As importações brasileiras cresceram cerca de 8,3% no primeiro semestre de 2025, totalizando US$ 135,77 bilhões, conforme dados da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Esse salto é puxado por bens industriais, máquinas, veículos, insumos farmacêuticos, entre outros. 
E mais, segundo o Banco Central, no final de 2024, o real passou por forte desvalorização: ao longo do ano, o dólar alcançou médias próximas de R$ 6,19 em alguns períodos, indicando depreciações de cerca de 28% frente às médias anteriores. Essa desvalorização teve impacto direto sobre custos de importação de bens cotados em dólar ou indexados a preços internacionais, incluindo filtros.
Para importadores e para quem utiliza elementos filtrantes importados, a conta ficou mais cara de duas formas. A primeira delas é em relação ao custo direto da compra, se o fornecedor está fora do Brasil, a cotação do dólar elevado significa pagar mais em reais, logo a margem de importação sobe.
A segunda é sobre custos logísticos, taxas e tributos. Frete internacional, seguro, despacho aduaneiro, impostos de importação (II), ICMS, etc., já pesam bastante, com câmbio desfavorável, esses encargos muitas vezes representam uma parcela ainda maior do custo unitário final.
Esse cenário pressiona o preço de filtros importados ou com insumos importados (por exemplo, membranas, mídias especiais, carcaças metálicas tratadas), força reajustes de preço, e muitas vezes gera atraso ou paralisia de contratos até que o spread de risco cambial seja renegociado.
Alguns nichos sentem mais esse efeito, entre eles o de filtros automotivos de alta tecnologia primeira linha. Peças OEM ou filtros com mídia avançada importados têm custo elevado; o mercado de reposição mais simples oscila menos quando há oferta nacional.
Depois temos os filtros industriais de processo, grandes cartuchos, módulos HEPA, ULPA. São usados nas indústrias de alimentos, químico, eletrônico, mineração e exigem qualidade, certificação, muitas vezes materiais importados, o que encarece bastante.
Por fim, destacamos os purificadores de água e filtros domésticos com tecnologia especializada (membranas, nanofibras, purificação avançada). O consumidor final muitas vezes paga pelo custo elevado de importação embutido nos equipamentos ou nos cartuchos.
Por outro lado, filtros mais simples (celulose, poliéster, carvão ativado básico, filtros de cabine de ar) têm alternativas nacionais competitivas, amortecendo o impacto cambial.
Segundo Eliezer Wenzel, engenheiro de aplicação e vendas da Purifil, os filtros lideram o mercado de importação são os elementos filtrantes tipo cartucho, principalmente os melt blown, bobinados e os mais atuais chamados de high-flow, característica dos cartuhos 3M da série 700. 
“Quando é possível a nacionalização é bem-vinda, mas quando isto implica diretamente em processos, aí nem o cliente e nem o fornecedor se arriscam, pois isso pode se traduzir em grandes prejuízos, para ambos” – destaca.

Comportamento de mercado 
Há uma tendência clara de que os itens padronizados de menor complexidade migrem para uma produção mais nacional, motivada pela busca de redução de custos, segurança de fornecimento e menor dependência das flutuações cambiais.
Entretanto, alguns componentes seguirão importados por razões estruturais, como tecnologia de mídia especializada (nanofibras, membranas de osmose reversa, mídias com tratamento especial), certificações internacionais (HEPA/ULPA, padrões específicos de pureza ou segurança), e sensores ou dispositivos integrados aos filtros, especialmente em mercados industriais ou automotivos de ponta.
Enquanto o grosso do mercado de filtros de reposição simples poderá ver fortalecimento de produtores locais, os filtros de alta performance continuarão a demandar importações ou parcerias com fornecedores globais.
No varejo de filtros e purificadores, especialmente para o consumidor final, o preço ainda pesa muito, uma vez que muitos compradores optam pelo mais barato disponível. Certificações ou especificações técnicas costumam vir como diferencial de nicho, ou no público que conhece bem o produto.
Por outro lado, em ambientes industriais ou para fabricantes e oficinas OEM, fatores como desempenho, confiabilidade, custo total de manutenção, durabilidade e certificações ganham primazia. Uma falha ou baixa eficiência pode causar prejuízo elevado, que compensa o investimento maior em filtros melhores.
Vale destacar que a regulamentação brasileira impõe obrigatoriedades que tanto elevam custo quanto funcionam como selo de qualidade. Homologações (INMETRO, normas setoriais, exigências específicas para purificação de água, por exemplo), requisitos de importação (documentação, taxas, fiscalização) tendem a aumentar o tempo e custo de trazer produtos e insumos do exterior.
Por outro lado, regimes aduaneiros (programas como Drawback ou regimes especiais para empresas que importam insumos para industrialização) oferecem alívio, mas nem todos os fabricantes ou importadores utilizam essas facilidades, muitas vezes por desconhecimento ou por barreiras operacionais.
Filtros automotivos: Com a eletrificação gradual e a sofisticação das plataformas veiculares, os filtros automotivos evoluem em dois eixos: materiais (mídias sintéticas, nanofibra) e sensoriamento (monitoração da condição do filtro). Enquanto filtros de ar/óleo/combustível permanecem relevantes em veículos a combustão, o avanço nos sistemas elétricos exige filtros de transmissão (eAxle), filtros para sistemas de arrefecimento de baterias e filtros de cabine com baixa queda de pressão. 
Nesse setor, há preferência por nacional em itens padronizados e de reposição corriqueira (custo/tempo). Já itens OEM sofisticados e mídias de alto desempenho frequentemente são importados. Tecnologias em alta: nanofibra, mídias sintéticas de alta resistência térmica, sensores para manutenção preditiva. 
Filtros de água e purificadores: O crescimento urbano, preocupações com qualidade da água, expansão de regimes de saneamento e maior disponibilidade de modelos domésticos/industriais impulsionam a demanda Eventos de contaminação local e campanhas de saúde também elevam a procura. 
Produtos de varejo (purificadores domésticos) têm forte oferta nacional, porém módulos de membrana (RO), cartuchos especializados e mídias nanofibra tendem a ser importados por exigência técnica. Tecnologias em alta: membranas RO de alta eficiência, nanomídia para retenção sub-micrônica e sistemas com uso de UV/ionização e monitoramento de qualidade. 
Filtros industriais e segmentos emergentes: Entre os principais desafios para empresas que dependem de importados temos o prazo de entrega e logística, volatilidade cambial, custos alfandegários, necessidade de homologação técnica e dependência de fornecedores estrangeiros para reposição rápida. Para indústrias críticas (mineradoras, petroquímica), a indisponibilidade pode paralisar linhas. 
No mercado industrial pesado, predomina a escolha por fornecedores globais quando se trata de cartuchos de alto desempenho e mídias proprietárias; contudo há espaço e incentivo para a produção nacional de mídias e elementos padronizados. Tecnologias em alta: nanofibras para controle de partículas finas, mídias tratadas hidrofóbicas e monitoração integrada (sistemas iCue / Filter Minder). 

Importação de filtros no Brasil: custos cambiais, tecnologia e oportunidades de nacionalização

Inovação como diferencial competitivo
Algumas tecnologias impulsionam o mercado, entre elas podemos mencionar a nanofibras e mídias de alto desempenho, que garantem maior eficiência com menor queda de pressão e que são relevantes para ar, óleo, combustível, água. Destaque também para filtros inteligentes e conectados para o monitoramento de pressão diferencial ou saturação, manutenção preditiva, alertas remotos.
Temos ainda os materiais sustentáveis e eco-design para eliminação de aditivos tóxicos, fluoro-livres, uso de materiais mais duráveis para reduzir trocas e impactos ambientais. Por fim, membranas e purificação avançada de água para uso doméstico ou industrial, com mais seletividade, módulos compactos, maior vida útil.
Essas inovações são caras para desenvolver, testar e certificar, o que favorece importações de pioneiros ou licenças internacionais, pelo menos até que seja viável a industrialização local.
Nesse contexto, podemos afirmar que o que diferencia quem consegue ganhar e manter mercado. Os distribuidores, importadores ou fabricantes que se destacam combinam vários fatores, entre eles temos a clareza no custo total de propriedade (incluindo vida útil, manutenção, substituição, eficiência energética).
Além disso, bom suporte técnico local, visto que muitos compradores querem garantia, assistência, reposição rápida. A capacidade de planejamento financeiro robusto — hedge cambial, contratos longos, estoques de segurança, diversificação de fornecedores, para amortecer choques no custo de importação também conta.
E não podemos esquecer as certificações reconhecidas, não só para entrar no mercado, mas para convencer clientes (industriais, oficinas, consumidores finais) de que vale pagar mais por desempenho ou durabilidade. Por fim, o quesito inovação contínua como vetor de diferenciação, tanto em tecnologia de mídia como em digitalização, conectividade ou sustentabilidade.
“Na minha opinião, as inovações estão se destacando no mercado de filtros as retenções para sistemas totalmente automáticos, onde não requer MOB especializada para trocas e manutenções de filtros e elementos filtrantes. A tendência é o uso de retenções extremamente baixas como os elementos sinterizados onde a eficiência é garantida” – destaca Wenzel.
Ainda segundo ele, há equipamentos utilizando retenção de 5 micra em filtros autolimpantes com elementos sinterizados de aço inox AISI 316L, onde a eficiência tem se mostrado extremamente compensador apesar do investimento inicial ser mais alto.
Para os próximos anos, espera-se uma curva de transferência de tecnologia. Os filtros padronizados e de menor custo tendem a ter produção nacional reforçada, enquanto componentes de ponta, mídias especializadas e soluções certificadas permanecerão importados em larga parte — ao menos até que iniciativas de investimento, P&D e políticas de incentivo se consolidem.
Em resumo, o mercado de filtros importados no Brasil está sob pressão dupla: pela volatilidade cambial e pelo exigente patamar tecnológico. Os que conseguirem se adaptar, combinando qualidade, certificação, serviço e planejamento, devem sair em vantagem. Contudo, a transição não será simples para muitos negócios, especialmente os de menor escala ou com margens apertadas. 

Contato da empresa
Purifil:
www.purifil.com.br

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