Produção de plástico pode superar 1,2 bilhão até 2060
Sherlock Communications -
Ao promover um entendimento comum sobre a REP, a parceria busca impulsionar políticas obrigatórias em diferentes setores, incorporando uma visão de ciclo
Enfrentar o desafio crescente da geração de resíduos exige cooperação em escala global. É nesse contexto que atua a Parceria Global de Ação para a Responsabilidade Estendida do Produtor (GAP for EPR), uma iniciativa internacional que reúne GIZ, OCDE, PNUMA e WWF, com apoio da Fundação Ellen MacArthur. Sediada pela PREVENT Waste Alliance, a parceria funciona como um ponto de convergência para governos, empresas e especialistas comprometidos em fortalecer políticas de Responsabilidade Estendida do Produtor (REP) ao redor do mundo.
Ao promover um entendimento comum sobre a REP, a parceria busca impulsionar políticas obrigatórias em diferentes setores, incorporando uma visão de ciclo de vida completo dos produtos, que vai além da gestão de resíduos e inclui instrumentos como a ecomodulação. A iniciativa também reforça a importância da equidade social, do engajamento do setor empresarial e do alinhamento entre políticas nacionais e subnacionais, criando as bases para impactos duradouros.
A Responsabilidade Estendida do Produtor é um instrumento-chave para destravar resultados da economia circular, ao transferir aos produtores a responsabilidade financeira e operacional sobre o pós-consumo.
Análise: Gustavo Alves, Gerente de Inovação na América Latina para Fundação Ellen MacArthur
A criação da Parceria Global de Ação para a Responsabilidade Estendida do Produtor consolida um entendimento comum de que enfrentar o crescimento da geração de resíduos exige políticas estruturantes, capazes de garantir financiamento contínuo e dedicado para a expansão da infraestrutura de reciclagem e circulação de materiais.
Estudos da Fundação Ellen MacArthur, especialmente no campo dos plásticos, mostram que estratégias de economia circular — como o redesenho de produtos, a eliminação de itens desnecessários e a adoção de modelos de negócio baseados em reutilização e reaproveitamento — são fundamentais para enfrentar a poluição. No entanto, essas soluções só se tornam viáveis quando acompanhadas de uma ampliação significativa da infraestrutura existente. Nesse cenário, a REP se destaca por transferir aos produtores a responsabilidade financeira e operacional pelo pós-consumo, evitando que o custo dessa expansão recaia exclusivamente sobre os governos.
A parceria global torna em evidência que atores-chave no combate à poluição e no redesenho da economia estão alinhados em torno dessa agenda e dispostos a apoiar governos e empresas na implementação efetiva da REP.
Acordo Mercosul-UE abre oportunidades de colaboração em petróleo, minerais críticos e bioeconomia
A aprovação pelo Conselho Europeu do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia na sexta, 9, abre novas perspectivas de colaboração entre os blocos no setor de energia. Para o Brasil, há expectativa de impactos sobretudo nos segmentos de petróleo, minerais críticos, bioprodutos e etanol.
Indiretamente, o acordo também pode impactar o mercado de gás natural no Brasil, ao abrir novas perspectivas para a indústria química brasileira — grande consumidora de gás. Há, ainda, uma grande expectativa, sobretudo do lado europeu, de colaboração no segmento de minerais críticos, cruciais para a transição energética.
Análise: Pedro Prata, Gerente Sênior de Políticas e Instituições para América Latina na Fundação Ellen MacArthur
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia e a inclusão dos minerais críticos representam um avanço importante para o Brasil, pois abrem oportunidades estratégicas em alguns setores econômicos. Por meio do acordo, será possível integrar as cadeias produtivas nos dois continentes e aproveitar o melhor potencial desse setor.
É importante que o Brasil aproveite essa oportunidade para também olhar para os minerais críticos pelas lentes da economia circular. A economia circular aplicada aos minerais críticos surge como uma estratégia para ampliar o valor gerado por esses recursos. O foco está em maximizar o potencial dos minerais ao longo do tempo, garantindo ciclos de uso mais longos, maior eficiência material e agregação de valor contínua. Essa abordagem fortalece a segurança de abastecimento e a competitividade do país, ao mesmo tempo em que reduz riscos associados à dependência de extração primária constante.
Um dos caminhos centrais para viabilizar essa transição está nos novos modelos de negócio, como o conceito de “minerais como serviço”. Em vez da venda definitiva de produtos, como baterias ou componentes eletrônicos, empresas passam a oferecer o uso desses materiais por um período determinado, garantindo seu retorno ao mercado ao fim de cada ciclo. Esse modelo permite múltiplos usos e fluxos recorrentes de receita, gerando menos retorno no primeiro ciclo, mas ganhos maiores e mais estáveis no longo prazo, aplicáveis a setores como mobilidade elétrica, eletrônicos e infraestrutura energética.
Produção global de plástico pode mais que dobrar até 2060
A produção global de plástico segue em ritmo acelerado e já alcança 516 milhões de toneladas em 2024, segundo estimativas da consultoria S2F Partners. Mantida essa tendência, o volume anual pode mais que dobrar até 2060, superando 1,2 bilhão de toneladas.
Hoje, apenas 9% do plástico produzido é reciclado corretamente uma única vez, e uma parcela ainda menor passa por uma segunda reciclagem. Na prática, mais de 90% acaba descartado, muitas vezes após poucos minutos de uso. Além das embalagens, partículas plásticas são liberadas ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos, desde a produção até o uso, como no desgaste de pneus e roupas sintéticas, e na gestão de resíduos, com uma parcela significativa chegando aos oceanos.
Análise: Victoria Almeida, Gerente de Programas na América Latina para Fundação Ellen MacArthur
Os dados mais recentes sobre a produção global de plástico reforçam a dimensão e a urgência do desafio da poluição plástica. Com 516 milhões de toneladas produzidas em 2024 e a perspectiva de que esse volume mais que dobre até 2060, fica evidente a necessidade de uma abordagem abrangente e sistêmica para fazer frente a esse desafio. O fato de apenas 9% do plástico ser reciclado corretamente, enquanto mais de 90% é descartado — muitas vezes após poucos minutos de uso — expõe os limites de um sistema ainda baseado no descarte e na perda de valor dos materiais.
Para conter a poluição plástica, é indispensável avançar em soluções de economia circular em toda a cadeia. Isso significa reduzir a quantidade de plástico colocada no mercado, evitando a geração de resíduos desde a origem, e, quando o uso for necessário, garantir que esses materiais permaneçam em circulação por mais tempo, por meio da reutilização e da reciclagem de qualidade. Essa transformação exige inovação em design de produtos, embalagens e modelos de negócio, além da ampliação da infraestrutura de coleta, triagem e reciclagem, para que os plásticos sejam efetivamente circulados na prática e deixem de vazar para o meio ambiente. Dessa forma, uma ênfase crescente em ações colaborativas se torna essencial para lidar com as complexidades da implementação em escala.
Gabriela Amorim <gabriela.amorim@sherlockcomms.com>