Grupo Sada inaugura a primeira recicladora integrada do Brasil da Igar
Automotive Business -
Fábrica em MG tem operação integrada, da descontaminação à trituração; Stellantis e ArcelorMittal são primeiras parceiras
O Grupo Sada inaugurou nesta quarta-feira, 25, a primeira recicladora integrada do Brasil da Igar (Igarapé Reciclagem), com capacidade para processar 300 mil veículos por ano. A unidade está localizada em Igarapé (MG) e tem operação completa, da descontaminação à trituração.
Com investimento de R$ 200 milhões, a fábrica tem 80 mil m², com capacidade para processar 500 carros por dia, além de 100 a 120 toneladas de sucata por hora.
A operação está em fase inicial e prevê reciclar 50 mil veículos em 2026, vindos de seguradoras e montadoras parceiras, como a Stellantis.
Os veículos recebidos no pátio passam pelo processo de descontaminação, com retirada de bateria, vidros e drenagem de fluidos (água do radiador, óleos do motor, câmbio, freio e amortecedor, além do combustível). Depois são desmontados e triturados.
A sucata gerada é absorvida pela indústria siderúrgica na produção do aço, como será feito pela ArcelorMittal. Os demais materiais descontaminados serão encaminhados para empresas especializadas ou associações de reciclagem para reaproveitamento.
Reciclagem de veículos é impulsionada pelo Mover
A nova unidade de negócios da Sada nasce em meio à implementação do Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), que estabelece requisitos ambientais e de reciclabilidade, incentivando a economia circular.
“É uma iniciativa inovadora porque apesar de ser o primeiro centro da região, já nasce em grande escala para atender uma política pública maior, que é o Mover, por isso é tão estratégico para o país”, disse a vice-presidente do Grupo Sada, Daniela Medioli.
“Hoje o carro em fim de vida é visto como uma matéria-prima e com o Mover passa a se transformar em incentivo fiscal na fabricação de novos veículos”, completou a executiva.
A reciclagem de veículos em fim de vida tem potencial de reinserir até 80% dos materiais em novos ciclos produtivos e de manufatura, mas no Brasil apenas 1,5% dos veículos passam por esse processo. Isso resulta em pátios públicos lotados e carcaças abandonadas que representam riscos ambientais.
Captação de veículos é desafio inicial
Inicialmente, o principal desafio do centro de reciclagem da Igar é a captação de veículos, segundo Medioli. Por enquanto, eles são provenientes de seguradoras e montadoras.
“Já temos modelos de negócio desenhados com várias montadoras, mas a maioria está aguardando de fato a portaria do Programa Mover”, disse Medioli.
A expectativa é que, em breve, os veículos venham também dos pátios do Detran.
“O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) está tentando endereçar para destravar os carros dos pátios públicos, mas ainda tem aspectos regulatórios que impedem que os carros sejam direcionados para o centro de reciclagem”, pontuou.
Sucata retorna à indústria
A ArcelorMittal vai consumir toda a sucata gerada pela Igar como fonte de matéria-prima renovável para a produção de aço. A expectativa é receber inicialmente 6 mil toneladas de aço, frente a uma demanda mensal de 250 mil toneladas da empresa.
Além do processamento de sucata para a siderúrgica, o acordo prevê a instalação de um entreposto da ArcelorMittal para armazenamento e movimentação do material dentro do centro de reciclagem e a gestão de toda a logística será feita pelo Grupo Sada.
“O aço é infinitamente reciclável, podemos produzir o aço com 100% de sucata que ele não perde as características”, disse o diretor de compras de metálicos e bioflorestas da ArcelorMittal, Bernardo Rosenthal.
“Até 2050 a ArcelorMittal quer ser neutra em carbono e a sucata é um dos grandes pilares dessa descarbonização.”
A Igar está prospectando também outros parceiros para reciclagem de pneus, vidros e demais componentes.