ArcelorMittal amplia o uso de sucata como parte de sua estratégia de zerar emissões líquidas de carbono
InPress Porter Novelli -
Reciclagem e economia circular integram ações da fabricante de aço para zerar emissões líquidas de CO2 até 2050 e gerar valor à cadeia produtiva
A ArcelorMittal, maior produtora de aço no Brasil e líder global no segmento, vai ampliar o uso de sucata como parte de sua estratégia global de zerar emissões líquidas de carbono até 2050 e assegurar maior competitividade em suas operações industriais. A empresa está implementando uma série de iniciativas neste sentido.
Entre as ações, destacam-se o uso mais intensivo de sucata; aquisição e modernização de equipamentos; otimização da recuperação de resíduos metálicos e não metálicos; e uso de Inteligência Artificial (IA) para gerenciamento e comercialização do produto.
“A sucata vive um momento histórico, assumindo o papel de recurso estratégico na indústria do aço global. Mais do que um insumo, a sucata é uma das alavancas da descarbonização e da competitividade empresarial”, afirma Bernardo Rosenthal, diretor de Compras de Metálicos e BioFlorestas da ArcelorMittal.
Um exemplo da estratégia foi a assinatura de parceria com a IGAR, empresa de reciclagem do Grupo Sada, no início de fevereiro. O contrato prevê processamento de sucata e a gestão da logística pela IGAR no entreposto da empresa em Igarapé (MG), com destino às unidades industriais da ArcelorMittal. A planta foi inaugurada no dia 25 de fevereiro.
O uso de sucata é estratégico. O produto reduz a necessidade de extração de minério de ferro e carvão, diminui o consumo de energia e as emissões de CO2 e posiciona a empresa de forma competitiva em um mercado global que exige cada vez mais produtos sustentáveis e conformidade com metas ESG. Hoje, 54% da produção de aços longos da ArcelorMittal no Brasil já ocorre via rota sucata, reduzindo a necessidade de minério de ferro virgem e promovendo a economia circular.
A sucata de obsolescência é o material oriundo de eletrodomésticos, veículos velhos, locomotivas e plataformas marítimas. De acordo com Rosenthal, o objetivo é preparar a empresa para um cenário onde haverá uma maior demanda por sucata, exigindo mais parcerias e maior capacidade de coleta e processamento.
A ArcelorMittal também atua junto ao poder público para fomentar um conjunto de leis e normas mais robusto em relação ao uso de sucata proveniente da obsolescência, como linha branca, do setor automotivo e naval.
Um exemplo é o Programa Mover, do governo federal, destinado à indústria automotiva. A meta da empresa é auxiliar no processo de elaboração e definição de portarias, garantindo incentivos claros para a reciclagem veicular e criando um ambiente institucional favorável para o setor. “O momento é positivo, com renovação da frota e as novas diretrizes de mobilidade verde”, destaca Rosenthal.
Uso de IA
A ArcelorMittal tem utilizado a Inteligência artificial (IA) para aprimorar a gestão da sucata e tomada de decisão, por meio de algoritmos preditivos que abrangem todo processo visando ao menor custo final de produção.
“Por meio da IA, a empresa também tem aprofundado nas análises de padrões de comportamento da cadeia de fornecedores para definição e seleção dos melhores, garantindo eficiência, qualidade, excelência e sustentabilidade”, complementa o diretor.
Atuação social
Atrelada à estratégia da empresa, a Fundação ArcelorMittal, organização dedicada ao investimento social do Grupo ArcelorMittal no Brasil, lançou recentemente uma nova frente de trabalho, com foco na economia circular. A estratégia, dividida em três blocos de atuação, está centrada no desenvolvimento humano dentro da circularidade da indústria do aço, posicionando-a como vetor essencial para a transição justa rumo a esse novo modelo econômico. Neste sentido, o objetivo é trabalhar na capacitação das pessoas envolvidas no processo.
As iniciativas estão em alinhamento com as tendências globais de sustentabilidade ambiental, social e econômica e corrobora o propósito de gerar impacto positivo a partir de práticas regenerativas.
João Palmer <joao.palmer@inpresspni.com.br>