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A indústria brasileira vem se dedicando a alcançar a eficiência operacional por meio da transformação digital

O cenário em 2026 é diferente, pois digitalização e gestão inteligente não são mais diferenciais. Empresas que não investirem em transformação digital


Por Bruno Rezende e Juan Ferrari

A indústria brasileira, nos últimos dois anos, vem se dedicando a alcançar a eficiência operacional por meio da transformação digital, o que já era realidade em 19% das empresas industriais ao final de 2024 e, à época, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) tinha como meta alcançar 25% até 2025.

O cenário em 2026 é diferente, pois digitalização e gestão inteligente não são mais diferenciais. Empresas que não investirem em transformação digital, especialmente na integração entre fábrica e gestão, vão perder competitividade global e espaço no mercado nacional.

Por isso, neste ano, as principais tendências que as indústrias devem seguir estão relacionadas à manutenção prescritiva e à massificação de sensores baseados em Internet of Things (IoT) para gestão dessa manutenção, bem como investimentos com retorno (ROI) rápido, digitalização do chão de fábrica e soluções all-in-one, concentrando múltiplas funcionalidades em plataformas completas.

Momento e oportunidades do setor industrial

Atualmente, o maior desafio neste contexto é a tomada de decisões com base em dados confiáveis. De acordo com a PINTEC Semestral, em 2024, 89% das indústrias utilizaram tecnologia digital avançada. Esse dado indica que um número elevado de companhias já possui ferramentas tecnológicas, mas acabam subutilizando o potencial delas.

Recentemente, o setor industrial tem sido impactado por taxações internas e externas que restringem novos investimentos em tecnologia e aumentam o custo operacional, provocando uma falta de previsibilidade e de planejamento financeiro. Além disso, a ausência de um padrão de sistemas operacionais dificulta o fluxo de trabalho e impede a regulamentação e implementação de boas práticas.

Em decorrência dessa falta de sistematização atrelada aos baixos índices de conectividade, muitas fábricas, principalmente as mais antigas, ainda não possuem infraestrutura de rede adequada para suportar projetos de IoT, mobilidade ou digitalização.

Neste contexto, com as crescentes demandas do setor industrial, a atualização dos parques vinculada a novas ferramentas tecnológicas é essencial. Soluções que ampliam eficiência, reduzem desperdícios, contribuem para a sustentabilidade e aumentam a disponibilidade dos ativos tornam-se ainda mais estratégicas e tendem a absorver melhor as pressões externas, possibilitando operações com aumento de produtividade e diminuição de interrupções.

No cenário ideal, as empresas devem adotar uma abordagem ágil, porém cautelosa, nesse processo de implementação, sendo fundamental, ainda, a capacitação contínua das equipes e o registro minucioso das métricas, retornos e tráfego de dados. Projetos piloto bem estruturados e executados conseguem acelerar a cultura digital nas indústrias.

Digitalização da indústria

A principal tecnologia usada no setor industrial é a IoT, que monitora e detecta falhas e inconsistências em ativos, minimizando paradas inesperadas. Ao mesmo tempo, a Inteligência Artificial (IA) vem ganhando espaço no segmento, e, quando combinada com IoT, auxilia na prevenção de problemas, reduz o tempo de parada e melhora exponencialmente a produtividade.

Por outro lado, ferramentas como RPA, digital twins e automação de processos estão sendo incorporadas nos fluxos industriais. Sendo assim, as principais tendências tecnológicas para o setor são as que conseguem gerar ganhos tangíveis em um curto período, como a digitalização do chão de fábrica, a criação de cadeias de manutenção integradas e soluções all-in-one.

Esse processo de transformação digital tem proporcionado ganhos reais para as empresas que iniciaram as implantações, como a detecção prévia de falhas, que diminui os gastos não planejados; a transparência operacional, que permite uma macro análise de gargalos; a extensão da vida útil dos ativos; a acuracidade nos indicadores e a migração de uma postura reativa para uma visão orientada à performance.

Manutenção industrial

O panorama atual da manutenção industrial brasileira vive uma transição crítica do modelo preventivo calendarizado para o início da manutenção baseada em condição (CBM). Muitas fábricas já possuem sensores, mas os dados ainda estão desconectados da gestão.

Para 2026, a tendência é que haja uma evolução para a Gestão de Ativos 4.0 Integrada, em que todas as áreas e fluxos de trabalho estão alinhados diretamente com o software de gestão (CMMS/EAM). Nesse sentido, as rotinas manuais de inspeção são substituídas por telemetria contínua.

Entre as tecnologias para manutenção em destaque para o setor industrial estão IoT Preditivo Plug & Play, dispositivos móveis com diagnósticos em tempo real e algoritmos de detecção de anomalias. A manutenção preditiva já está consolidada. Neste ano, a previsão é que ela evolua para a manutenção prescritiva.

Neste formato, um sistema de IoT detecta a falha, cruza com o histórico, identifica o tipo de falha, abre a Ordem de Serviço automática no CMMS, verifica a disponibilidade de itens necessários no estoque e já realiza o requerimento. O sistema identifica e administra a demanda automaticamente, deixando de ser responsivo e se tornando um gestor.

A partir destas implementações, a manutenção passa a conversar nativamente com operações, qualidade, sustentabilidade e supply chain, criando um fluxo unificado. Em 2026, as exigências não serão apenas sobre a disponibilidade da máquina e os recursos tecnológicos, mas também pela capacidade de reduzir o custo energético do ativo e a otimização de recursos.

Panorama futuro

No setor industrial, além das novas ferramentas e práticas, o profissional também vai precisar se adequar às atualizações. O novo técnico precisará ter um perfil híbrido, ser especialista em sua área específica e entender de sistemas e análise de dados. Nesse sentido, as empresas precisam participar desta capacitação dos colaboradores para a incorporação de ferramentas digitais às equipes. Organizações que investem em treinamento e cultura digital terão grande vantagem competitiva.

A indústria entrou em uma fase em que a competitividade depende diretamente da capacidade de integrar pessoas, processos e tecnologia. Soluções simples, rápidas e integradas serão as mais valorizadas no mercado. Contudo, a transformação digital só será efetiva quando alcançar todos os elos da cadeira, do técnico ao gestor. Empresas que conseguirem transformar tecnologia em hábito e cultura serão as que conquistarão um crescimento consistente em 2026.

Bruno Rezende é Especialista em IoT e Juan Ferrari é Co-fundador e Gerente Comercial da Fracttal Brasil

Diego Serni - EPR <diego@epr.com.br>

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