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Como as práticas ESG destravam investimentos

Sem anúncios formais, critérios ambientais, sociais e de governança já influenciam decisões de bancos, investidores e grandes empresas e redefinem


Embora não haja, necessariamente, comunicados públicos ou exigências explícitas em todos os contratos, o mercado financeiro já incorporou critérios ESG às suas análises de risco e concessão de crédito. Bancos, investidores e grandes companhias vêm avaliando, de forma cada vez mais técnica, como as organizações gerenciam riscos ambientais, sociais e de governança antes de decidir com quem fazem negócios.

Esse movimento não se restringe à reputação. Trata-se de uma mudança estrutural na lógica de avaliação econômica. Empresas que demonstram capacidade de mapear riscos climáticos, estruturar governança consistente, monitorar impactos socioambientais e integrar essas variáveis à estratégia tendem a ser percebidas como menos expostas a contingências futuras. Na prática, isso se traduz em melhores condições de financiamento, maior acesso a capital e ampliação do interesse de investidores institucionais.

A relação entre sustentabilidade e valor econômico é cada vez mais evidente. Organizações que internalizam práticas ESG reduzem incertezas regulatórias, fortalecem sua previsibilidade financeira e ampliam sua competitividade em cadeias produtivas que já exigem padrões mínimos de conformidade. Instrumentos como financiamentos verdes e operações atreladas a metas de desempenho socioambiental deixam de ser exceção e passam a compor o portfólio estratégico das empresas que desejam crescer com consistência.

Para Miriam Lüttgen, presidente da Sustentalli – cooperativa de especialistas em sustentabilidade e governança –, o cenário consolida uma transformação silenciosa, porém irreversível. “O mercado já precifica governança, gestão de riscos e responsabilidade socioambiental. Empresas que estruturam suas práticas ESG de forma técnica e estratégica ampliam o acesso ao crédito e reduzem o custo de capital. Não se trata de discurso, mas de competitividade”, afirma.

Nesse contexto, a Miriam reforça que a adoção estruturada de critérios ESG não deve ser vista como um projeto paralelo, mas como “parte integrante da estratégia empresarial”.

Lourenço Marchesan <camejo@camejo.com.br>

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