Toyota terá centro de pesquisa de etanol
Automotive Business -
Projeto de reconstrução da fábrica de Porto Feliz (SP) envolve estrutura mais resistente às intempéries
Nanakorobi Yaoki é um famoso provérbio japonês que versa sobre cair sete vezes e levantar-se oito. Depois de ver boa parte da fábrica de motores de Porto Feliz (SP) literalmente no chão por causa de um forte vendaval, se reerguer passou a fazer parte do planejamento da Toyota no país.
E esse planejamento envolve alguns movimentos interessantes revelados pelo CEO da companhia na região, Evandro Maggio, em encontro com a imprensa em São Paulo (SP), na terça-feira, 3. Um deles é o projeto da reconstrução da fábrica de motores, o qual prioriza a utilização de materiais e estruturas mais fortes.
“Pedimos para defesa civil uma carta climática da região para analisar os ventos, e vimos que o vendaval que atingiu Porto Feliz foi um evento pontual. O projeto da fábrica agora antevê esse tipo de fenômeno e usa materiais e estruturas mais resistentes a esse tipo de fenômeno”, contou Maggio.
A reconstrução, calcula o executivo, será finalizada apenas no final de 2027 e conta com diversas equipe multidisciplinares formadas por profissionais brasileiros e japoneses, alguns deles especialistas em calamidades como essa – a Toyota já enfrentou diversas delas no Japão e na África do Sul, por exemplo.
Enquanto isso, a empresa tratou de aproveitar a área do galpão que alugou para albergar os equipamentos de Porto Feliz para também seguir produzindo motores ali, em uma escala menor, para abastecer as demais unidades produtivas no país, em Sorocaba (SP) e Indaiatuba (SP).
Crédito de R$ 500 milhões não será utilizado pela Toyota
Ali opera um quadro formado por 200 trabalhadores de Porto Feliz. Há um outro contingente maior formado por 600 trabalhadores, que ainda está em layoff, que é a medida que suspende os contratos de trabalho por até cinco meses. Enquanto isso, a empresa compõe a produção de seus veículos com propulsores importados.
A reconstrução da fábrica será custeada com recursos próprios e com aqueles pagos pelo seguro contratado pela empresa. Os R$ 500 milhões que o BNDES liberou para a empresa, no entanto, não serão utilizados nessa empreitada. “Os juros são altos”, disse Maggio.
Além da fábrica anti-vento, a Toyota também anunciou que terá um centro de pesquisa de biocombustíveis em Sorocaba, no qual cerca de 40 profissionais vão se debruçar sobre projetos que envolvem etanol, biometano, equipamentos que aumentam a eficiência energética, dentre outros.
Centro de pesquisa será em Sorocaba
Esse centro, na prática já existe, mas de forma descentralizada. A ideia é que ele, de fato, concentre esses profissionais em um mesmo ambiente. A estrutura é interessante para a montadora uma vez que o Programa Mover demanda exigências nesse campo, além de incentivar a pesquisa e o desenvolvimento.
O balanço da companhia, divulgado em janeiro, mostrou que saíram das linhas da montadora no país 168.631 unidades no ano passado, um volume que representou queda de 17% ante o desempenho registrado em 2024. Para este ano, o planejamento indica algo um pouco maior, cerca de 170 mil unidades.
“Vemos o ano como um espelho do que foi o ano passado”, contou Maggio. Se referindo ao desempenho das fábricas, claro. O incidente em Porto Feliz parece ter ficado no passado.