O novo padrão de competitividade na indústria de celulose e papel
Central Press -
E como fazer isso acontecer? É preciso traçar um roteiro para que a neutralidade de carbono saia do papel e definir metas para reduzir as emissões
Por Richard Barros, diretor de operações das regiões Andes & Plata da Valmet.
A mudança climática não permite mais demoras: a indústria de celulose e papel deve reduzir as emissões e reinventar seus processos sem comprometer a produtividade. As empresas de tecnologia têm papel fundamental, não apenas otimizando as operações, mas projetando uma forma de produzir sustentável e mensurável. As soluções disponíveis hoje permitem combinar eficiência, sustentabilidade e competitividade, mas exigem decisão e, principalmente, ação imediata por parte de toda a indústria.
E como fazer isso acontecer? É preciso traçar um roteiro para que a neutralidade de carbono saia do papel e definir metas para reduzir as emissões nas operações próprias, na cadeia de suprimentos e no uso de tecnologias pelos clientes. É o que ocorre dentro da multinacional finlandesa Valmet, que, desde 2021, demonstra que a transição energética industrial pode gerar resultados mensuráveis e verificáveis. Em 2023, por exemplo, as emissões da cadeia de suprimentos diminuíram 22%.
Os próximos cinco anos serão determinantes. É necessário projetar investimentos globais na eletrificação de processos, no desenvolvimento de tecnologias com combustíveis livres de fósseis e na otimização energética de equipamentos atuais. São passos mensuráveis que sustentam uma transformação estrutural em um dos setores mais intensivos em energia do planeta. É um caminho que precisa ser trilhado por todos os players do setor.
A evidência já existe. Um exemplo emblemático é o projeto de modernização e ampliação da Planta Arauco (projeto MAPA), para o qual a Valmet forneceu uma caldeira de recuperação de alta potência e uma caldeira de biomassa. O avanço permitiu ampliar o caminho da empresa rumo à neutralidade de carbono e torná-la referência global em produção sustentável. Esse caso demonstra, de forma explícita, que a sustentabilidade já integra o novo padrão de desempenho industrial e não é mais um diferencial de mercado.
Alcançar a neutralidade de carbono exige mais do que inovação tecnológica: requer transparência, rastreabilidade e colaboração multissetorial. Sistemas integrados e avançados de monitoramento contínuo de emissões garantem medições precisas e relatórios verificáveis em índices internacionais como Dow Jones Sustainability Index e Carbon Disclosure Project (CDP). Essa transparência é vital para a credibilidade do setor.
No entanto, a descarbonização não pode ser uma corrida solitária. Requer alianças amplas. É necessário cobrar colaborações com esse propósito de fornecedores, governos e instituições acadêmicas, como o memorando firmado com a Saipem para soluções integradas de captura e reutilização de CO2, além do programa Beyond Circularity, voltado para fomentar a economia circular. A colaboração é o motor para acelerar essa transição.
Os obstáculos são reais: eletrificação de processos térmicos intensivos, diferenças regulatórias entre países e altos custos de investimento inicial. Diante disso, o investimento em conhecimento permite otimizar o design de plantas, maximizar a eficiência energética e adaptar soluções para diferentes contextos, facilitando a adoção progressiva de tecnologias sustentáveis.
Agora, o que está em jogo não é apenas a viabilidade técnica, mas a velocidade para escalar soluções. A transformação virá da capacidade de a indústria repensar seu propósito e medir o progresso com critérios que integrem valor ambiental e social. A neutralidade de carbono é, no meu entendimento, uma maneira diferente de conceber o desenvolvimento, e o setor já conta com as ferramentas necessárias para consolidar sua transição de forma justa, inclusiva e sustentável. É hora de agir e tornar o novo padrão uma realidade global.
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