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Energia solar em pontos de recarga tem se consolidado como um dos fatores mais determinantes para a sustentabilidade

Operadores parceiros da Voltbras adotam geração solar e alcançam payback em até 12 meses, fortalecendo a expansão da eletromobilidade com ganhos econômicos


A adoção de energia solar em pontos de recarga tem se consolidado como um dos fatores mais determinantes para a sustentabilidade financeira do ecossistema de eletromobilidade no Brasil. Com a expansão acelerada da infraestrutura e o aumento da frota de veículos elétricos, operadores de estações têm buscado alternativas para reduzir custos operacionais e ampliar margens. Nesse cenário, a geração distribuída desponta como solução estratégica capaz de reduzir significativamente o custo por quilowatt e, ao mesmo tempo, elevar a atratividade do negócio.

Segundo Bernardo Durieux, CEO da Voltbras, rede que integra e gerencia mais de 2.500 carregadores em todo o país, a energia solar já se tornou um diferencial competitivo para operadores comerciais e corporativos. “A geração solar reduz o custo final da energia e melhora as margens do operador. Além disso, permite que o usuário carregue o veículo com uma fonte limpa, o que é duplamente benéfico”, afirma.

O impacto econômico é evidente. Durieux destaca que o tempo de retorno do investimento em estações de recarga com apoio da geração solar tem se mostrado consistentemente mais curto. “Um payback razoável, realista e factível fica entre 24 e 36 meses. Há casos excepcionais com retorno em 12 meses e outros que demoram até 5 anos, mas tipicamente o intervalo de dois a três anos é o mais comum no Brasil, considerando as taxas de uso atuais”, explica o executivo.

A análise acompanha tendências globais. Estudos da Agência Internacional de Energia (IEA) apontam que o Brasil está entre os países com maior potencial de expansão de geração solar distribuída na próxima década, especialmente por sua combinação de irradiação elevada, redução de custos de equipamentos e avanço regulatório. Já a BloombergNEF projeta que, até 2030, mais de 40% das estações de recarga públicas na América Latina estarão integradas a alguma forma de geração renovável local.

Além do ganho econômico imediato, a adoção de energia solar em hubs de recarga contribui diretamente para a redução das emissões associadas à mobilidade elétrica. Embora o Brasil possua uma matriz majoritariamente limpa, a geração solar distribuída assegura previsibilidade de consumo, menor dependência da rede e um ciclo de recarga mais alinhado aos compromissos de descarbonização de empresas e operadores.

Segundo Durieux, o movimento também acompanha a evolução natural do mercado, que está amadurecendo rapidamente. “A recarga é um negócio como qualquer outro, com riscos e retornos variados. A geração solar ajuda a estabilizar este modelo, reduz custo e viabiliza margens mais altas. No final do dia, todos ganham: o operador, o consumidor e o meio ambiente”, reforça.

A aceleração do retorno sobre investimento tem sido percebida especialmente em locais que combinam fluxo constante de usuários com condições mais vantajosas de aquisição de energia, como estacionamentos comerciais, shopping centers, supermercados e hubs corporativos. Nessas áreas, a queda no custo operacional permite que operadores mantenham preços competitivos para o consumidor final e ampliem a taxa de ocupação dos carregadores.

Durieux observa que a expansão das parcerias e da infraestrutura de recarga no Brasil acompanha a crescente profissionalização do setor. Ele destaca que o aumento da base de usuários — impulsionado pela popularização dos veículos chineses, que hoje representam cerca de 80% dos carregamentos registrados pela plataforma — reforça a necessidade de soluções sustentáveis e integradas. “Trabalhamos para que os operadores tenham negócios rentáveis e consigam continuar investindo no setor. Crescemos quando nossos clientes crescem”, diz.

Nesse sentido, o contexto regulatório também desempenha papel crucial. O CEO avalia que políticas de descarbonização, somadas à redução de impostos sobre veículos e componentes, poderiam acelerar ainda mais a adoção de infraestrutura sustentável. “A vontade do consumidor existe, mas muitas vezes esbarra no preço final do veículo. Incentivos fiscais ajudariam a democratizar o acesso e impulsionar toda a cadeia”, comenta.

A expectativa para os próximos anos é de forte crescimento. A Voltbras pretende dobrar o número de carregadores conectados em 2026 e ampliar, no mínimo, em 50% a taxa de uso, impulsionada pelo aumento da frota, pela expansão da interoperabilidade e pelo fortalecimento de parcerias entre operadores regionais. “O usuário é o centro de tudo. Se oferecemos mais pontos, mais conveniência e mais energia limpa, impulsionamos todo o mercado”, afirma Durieux.

Enquanto a infraestrutura avança, o uso combinado de tecnologias limpas como a energia solar se consolida como pilar fundamental da evolução da eletromobilidade no Brasil. A redução de custos, o retorno rápido do investimento e os ganhos ambientais reforçam o papel estratégico da geração distribuída para um setor que cresce em ritmo acelerado e se expande para novas regiões do país.

Mariana Yole Pereira de Souza <mariana.yole@mgapress.com.br>

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