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Pequenas e médias empresas passaram a ocupar o centro de uma nova fase de expansão da energia solar no Brasil

Pressionadas por custos operacionais elevados, PMEs impulsionam a adoção de modelos por assinatura no setor elétrico e reposicionam a energia como variável


Em um ambiente de crédito mais restrito e custos operacionais elevados, pequenas e médias empresas passaram a ocupar o centro de uma nova fase de expansão da energia solar no Brasil. Diferentemente do movimento inicial, marcado pela instalação de sistemas próprios em residências e grandes empreendimentos, a demanda agora cresce entre negócios que buscam reduzir despesas sem comprometer o caixa e que encontram nos modelos por assinatura uma alternativa mais acessível.

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica mostram que a geração distribuída já ultrapassa 2 milhões de unidades consumidoras no país, em trajetória consistente de crescimento. Levantamentos da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica indicam que o segmento empresarial vem ampliando sua participação nesse avanço, especialmente entre pequenos e médios negócios, impulsionado pela necessidade de previsibilidade e controle de custos.

A mudança de perfil reflete uma lógica financeira mais pragmática. Em vez de imobilizar capital na aquisição de sistemas próprios, o que exige investimento elevado e retorno no médio prazo, empresas passaram a optar por soluções que permitem economia imediata. No modelo por assinatura, a energia é gerada em usinas remotas e convertida em créditos que são compensados diretamente na conta de luz do consumidor.

Segundo Luís Fernando Roquette, diretor da Coesa Energia, o avanço das pequenas e médias empresas nesse mercado revela uma mudança relevante na forma como a energia é tratada dentro das organizações. Ele afirma que, durante muito tempo, a energia foi vista apenas como um custo fixo e que agora passa a ser gerida como uma variável estratégica, com impacto direto na competitividade e no planejamento financeiro.

Na prática, o modelo permite que empresas tenham acesso à energia solar sem a necessidade de instalação de equipamentos ou de manutenção. A economia pode variar de acordo com o perfil de consumo e a região atendida, mas o principal diferencial está na ausência de investimento inicial, fator decisivo para negócios com maior sensibilidade ao fluxo de caixa.

A previsibilidade também tem peso crescente na tomada de decisão. Em um cenário de volatilidade tarifária, influenciado por condições hidrológicas e pelo acionamento de bandeiras tarifárias, soluções que oferecem maior estabilidade tendem a ganhar espaço entre empresas que precisam planejar seus custos com mais precisão.

Roquette afirma que o empresário brasileiro, especialmente o de pequeno e médio porte, está mais atento à gestão de caixa e busca alternativas que gerem economia desde o primeiro mês, sem necessidade de endividamento. Na avaliação dele, trata-se de uma mudança de mentalidade que contribui para acelerar a adoção de soluções mais eficientes no setor elétrico.

O avanço desse modelo também acompanha o amadurecimento do próprio mercado de geração distribuída, que ampliou a oferta de soluções e passou a atender públicos antes fora desse segmento por limitações financeiras ou estruturais. A entrada mais consistente das pequenas e médias empresas tende a sustentar o crescimento do setor nos próximos anos e a diversificar a base de consumidores.

Para a Coesa Energia, esse movimento marca um novo estágio da energia solar no país, mais alinhado à realidade das empresas e às demandas por eficiência e previsibilidade. Segundo Roquette, a energia deixou de ser apenas um custo operacional e passou a ocupar um papel mais estratégico nas decisões empresariais, com impacto direto na competitividade dos negócios. “As empresas que anteciparem esse movimento tendem a ganhar eficiência e competitividade em um ambiente cada vez mais pressionado por custos”, conclui.

Saulo Penaforte <saulo.penaforte@partners360.com.br>

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