Expertise dos filtros protege com alta eficiência sistemas atuais dos caminhões elétricos fora de estrada
Por Cristiane Rubim
Edição Nº 139 - Março/Abril 2026 - Ano 24
O mercado brasileiro de caminhões elétricos fora de estrada ainda se encontra em fase inicial, porém seu crescimento está acelerado. No Brasil, operações com estes tipos de caminhões vêm sendo realizadas em grandes mineradoras desde 2022
O mercado brasileiro de caminhões elétricos fora de estrada ainda se encontra em fase inicial, porém seu crescimento está acelerado. No Brasil, operações com estes tipos de caminhões vêm sendo realizadas em grandes mineradoras desde 2022. Empresas como Vale e CSN Mineração e operadores portuários já utilizam ou testam soluções elétricas. A filtragem, mesmo sem motor a combustão, continua crítica nos caminhões elétricos fora de estrada que percorrem ambientes com vibração extrema, poeira densa e lama.
Roberto Rualonga, gerente técnico da Tecfil, destaca que o principal vetor de crescimento do mercado de caminhões elétricos fora de estrada é a mineração; em seguida, vêm portos e pátios logísticos; depois, grandes obras de infraestrutura; e, na sequência, a área florestal, com operações controladas.
As configurações mais comuns de caminhões elétricos fora de estrada são a puramente elétrica, que utiliza baterias que precisam ser carregadas e não emitem gases, como o CO2, durante a operação; e a eletrodiesel, que possui motor a combustão, gerador elétrico e transmissão obtida por motores elétricos acoplados às rodas motrizes. “O maior emprego ainda é das versões eletrodiesel devido à eficiência energética conhecida há algumas décadas e à maior capacidade de carga” – afirma Alex Alencar, diretor técnico e comercial da Engefluid.
Off-road
Caminhões elétricos off-road são veículos pesados que possuem motores elétricos movidos por baterias recarregáveis com energia de fontes tradicionais ou as renováveis, que aumentam a sustentabilidade. Motores elétricos eliminam a emissão de gases poluentes, como dióxido de carbono (CO2), o gás carbônico, e diminuem ruídos. No longo prazo, geram custos menores por reduzir o consumo de combustível e as manutenções. A mineradora Vale busca a eletrificação dos ativos ao implementá-los em suas operações.
Produzidos com pneus grandes, suspensão reforçada e tração potente, percorrem terrenos não pavimentados, acidentados ou de difícil acesso, como lama, areia, rochas, minas e construções, para transportar cargas pesadas na mineração, aplicações industriais, entre outras. “Esses caminhões movimentam grandes cargas de minério e de terra, pedra ou areia em obras de grande porte. As versões elétricas ainda possuem limitação de carga admissível, não atingindo 100 toneladas. Enquanto a configuração eletrodiesel pode transportar mais de 300 toneladas” – explica Alencar, da Englefluid.
Filtragem
A gestão térmica das baterias, a proteção de componentes eletrônicos sensíveis e a filtragem do ar são os principais desafios para os filtros em caminhões elétricos que operam em ambientes com altos níveis de poeira, lama, água e detritos. Sistemas de ventilação e refrigeração dos componentes elétricos, como inversores e baterias, exigem fluxo de ar limpo. A alta concentração de partículas no ar pode obstruir os filtros de ar, reduzindo o desempenho e a vida útil do sistema. Evitar a entrada de água e poeira nos sistemas de bateria e eletrônicos de potência requer filtros de ventilação robustos. Componentes dos veículos elétricos fora de estrada sofrem níveis elevados de impacto e vibração e sistemas de filtragem e suas carcaças devem ser suportá-los sem falhas.
Filtros robustos
Caminhões elétricos off-road operam sob vibração extrema, poeira densa e lama. A poeira excessiva desses ambientes satura os filtros de cabine. Fazer a manutenção preventiva utilizando produtos de alta vedação é fundamental contra poeira. A filtragem em caminhões elétricos é imprescindível para proteger os ocupantes e o funcionamento da refrigeração de baterias. Os filtros precisam ser robustos para não falharem e manterem a eficiência.
Principais tipos de filtros nos caminhões elétricos fora de estrada:
Ar e cabine
Filtros de ar precisam impedir a entrada de poeira fina de ambientes off-road que podem ocasionar superaquecimento, perda de eficiência e falhas na bateria.
Filtros de ar (não motor):
• Protegem os sistemas de arrefecimento das baterias;
• Protegem motores elétricos, inversores e ventiladores;
• Garantem fluxo de ar limpo em ambientes com poeira extrema.
Filtros de cabine (partículas + carvão ativado):
• Saúde e conforto do operador;
• Retenção de poeira fina, sílica, gases e odores;
• Em mineração, uso frequente de Hepa.
Fonte: Tecfil.
Hidráulicos
O powertrain (trem de força) em caminhões elétricos fora de estrada substitui o motor diesel, a transmissão mecânica e o diferencial por sistema de alta voltagem com maior torque e frenagem regenerativa, na qual o motor atua como gerador nas descidas, carregando a bateria e reduzindo o desgaste dos freios. Motores elétricos oferecem torque instantâneo e elevado para subidas íngremes e movimentar cargas pesadas (de 25 a 400 toneladas).
Mesmo com powertrain elétrico, caminhões elétricos off-road ainda dependem dos sistemas hidráulicos. Filtros hidráulicos mantêm a integridade da direção, frenagem e elevação da caçamba, operando sob altas cargas e ambientes severos. A filtragem evita contaminantes, falhas de componentes e inatividade. A proteção de componentes das partículas de metal, sujeira e poeira garante a eficiência da operação.
Uma vez que os caminhões elétricos não possuem trem de força convencional, os filtros ficam realocados. “Os filtros utilizados estão distribuídos na proteção de ar de cabine do operador e no sistema hidráulico de basculamento da caçamba. Na versão eletrodiesel, além das duas posições, os filtros podem estar em sistemas hidráulicos de freio e no motor diesel” – expõe Alencar, da Engefluid.
A taxa de saturação do elemento filtrante é alta nestes ambientes com poeira e operação intensiva. Filtros saturados podem se romper e liberar contaminantes que danificam válvulas e bombas. A manutenção regular inclui inspeção visual e troca dos elementos filtrantes. Poeira, lama e vibração requerem filtros de alta capacidade de retenção de sujeira e resistência. A falha hidráulica pode resultar em perda de direção ou frenagem em um veículo pesado. Para fazer a manutenção dos filtros de caminhões elétricos fora de estrada, Rualonga, da Tecfil, recomenda seguir sempre a indicação do fabricante.
Filtros hidráulicos evitam falhas em válvulas e bombas:
• Protegem os sistemas de direção, suspensão e basculamento.
Fonte: Tecfil.
Arrefecimento
Filtros do sistema de arrefecimento em caminhões elétricos fora de estrada trazem longevidade a baterias, inversores e motores elétricos. Removem impurezas do fluido que circula nas baterias e nos inversores e evitam contaminação, que aumenta o risco de falhas no desempenho elétrico. Mantêm a pureza química e evitam que o fluido se torne condutor elétrico. Se o fluido conduzir eletricidade, pode haver curto-circuito interno em componentes de alta tensão. A filtragem deixa o fluido limpo e livre de contaminantes para eficiência do resfriamento e motor em temperatura ideal, evitando superaquecimento e protegendo contra corrosão e acúmulo de sujeira, ferrugem e partículas.
Filtros do sistema de arrefecimento evitam corrosão, incrustações e contaminação:
• Protegem circuitos térmicos de baterias, inversores e motores elétricos.
Fonte: Tecfil.
Óleo
Os filtros de óleo para redutores e eixos elétricos (e-axles) em caminhões fora de estrada elétricos asseguram resfriamento e eficiência de tração. Sistemas elétricos exigem filtragem de alta eficiência para partículas metálicas geradas por engrenagens. A filtragem mantém o óleo limpo, seco e livre de partículas de desgaste. Remoção de partículas de desgaste reduz o risco de quebras inesperadas, que geram altos custos. Suportam temperaturas extremas e alta viscosidade do óleo e podem dobrar a vida útil de engrenagens e rolamentos, reduzindo grandes investimentos de capital.
Filtros de óleo de redutores e eixos elétricos garantem a durabilidade dos conjuntos mecânicos:
• Filtram o óleo de redutores, diferenciais e e-axles (eixos elétricos de propulsão, evolução dos trens de força em veículos elétricos, integrando motor, transmissão e diferencial em unidade compacta).
Fonte: Tecfil.
Vantagens para empresas
A transição para caminhões elétricos fora de estrada impulsiona a sustentabilidade, a eficiência operacional e a redução de custos. Segundo Alencar, da Engefluid, o usuário típico desses caminhões são empresas que possuem controle rígido de custos. “A principal vantagem que essas empresas buscam na seleção da melhor tecnologia é a redução do custo de operação. Elas fazem um balanço das capacidades e limitações de cada uma das opções disponíveis, envolvendo o consumo energético, a capacidade de carga, a manutenção necessária, manobrabilidade e até mesmo algumas características próprias da obra ou do campo de operação” – relaciona.
Vantagens dos caminhões elétricos fora de estrada para as operações das empresas:
Devido ao alto torque e eficiência do motor, sobem colinas e rampas íngremes com mais facilidade que os de motores a diesel. Sem motor a combustão, transmissão complexa ou escapamento, há menos componentes móveis, reduzindo de 40% a 60% sua manutenção.
Operacionais:
• Torque máximo imediato;
• Melhor desempenho em rampas;
• Menos paradas por falha mecânica.
Fonte: Tecfil.
Eliminação ou redução drástica do uso de diesel diminui maior custo operacional das operações off-road. Sem trocas de óleo de motor, filtros de combustível e fluidos de transmissão, a manutenção fica mais barata e rápida. Sem pistões, injeção e turbos, são menos peças para substituir. O custo por quilômetro rodado ou hora de operação é bem menor que dos veículos a diesel e o custo de abastecimento com eletricidade é uma fração do custo com combustível fóssil.
Econômicas:
• Redução de uso de diesel, óleo lubrificante e peças móveis;
• Menor custo total de manutenção no longo prazo.
Fonte: Tecfil.
Eliminação de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e partículas tóxicas melhora a qualidade do ar e contribui para as metas de descarbonização. A operação silenciosa dos caminhões elétricos alivia a poluição sonora no local de trabalho, trazendo bem-estar aos motoristas e segurança, reduzindo o estresse. Ausência de vibrações e calor da combustão traz conforto ao operador e menos ruídos na cabine reduz a fadiga do motorista.
Ambientais
• Zero emissão local;
• Redução significativa de dióxido de carbono (CO2), o gás carbônico;
• Menor ruído (operações noturnas).
Fonte: Tecfil.
A tecnologia puramente elétrica é relativamente nova em relação à versão eletrodiesel. “É possível estimar que, em um futuro breve, poderemos ver uma combinação das duas tecnologias, assim como vemos hoje entre caminhões eletrodiesel e convencionais a diesel” – aponta Alencar.
Desafios
A eletrificação de caminhões fora de estrada enfrenta desafios técnicos e operacionais para substituir o diesel. Baterias atuais são pesadas e ocupam muito espaço. Para mover cargas em rampas íngremes, é preciso muita energia, o que requer baterias grandes, que levam horas para carregar. Caminhões elétricos exigem estações de recarga de alta potência, muitas vezes, em locais remotos. A substituição de bateria é uma opção, mas exige infraestrutura.
Desafios dos caminhões elétricos fora de estrada:
Infraestrutura
• Rede elétrica limitada em áreas remotas;
• Necessidade de subestações dedicadas.
Baterias
• Custo inicial elevado;
• Peso adicional;
• Gestão térmica crítica que impacta filtros.
Fonte: Tecfil.
Fabricantes vêm aprimorando caminhões eletrodiesel há décadas, melhorando sua eficiência energética tanto no conjunto elétrico quanto no motor diesel, seguindo a evolução tecnológica desses motores em aplicação urbana. Já os caminhões elétricos são tecnologia incipiente em que usuários e fabricantes acompanham sua rápida evolução. “O desafio de ambas as tecnologias é encontrar os pontos de máxima eficiência de carga, custo de operação e impacto ambiental” – pontua Alencar, da Engefluid.
Soluções plurais
A 32ª edição do Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva (Simea), promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), reuniu em São Paulo (SP), em agosto de 2025, especialistas para discutir tecnologias e estratégias sobre o futuro da mobilidade no Brasil. Murilo Ortolan, diretor de Tendências Tecnológicas da AEA, destacou no evento que as soluções para veículos pesados são plurais – biocombustíveis, gás natural, eletrificação em nichos urbanos e, no longo prazo, hidrogênio verde e combustíveis sintéticos.
Thaianne Resende, diretora de Qualidade Ambiental da Secretaria Nacional de Meio Ambiente e Qualidade Ambiental (MMA), enfatizou os resultados dos programas de controle de emissões Proconve e Promot, que são instrumentos do Programa de Qualidade do Ar (Pronar), em vigor há 39 e 23 anos, respectivamente. Segundo ela, os dois programas já contribuíram para reduzir 99% de monóxido de carbono; 98% de hidrocarbonetos; e 96% de óxidos de nitrogênio, mesmo com o aumento da frota nacional. Um carro em 1986 poluía o equivalente a 136 veículos atuais. Ela apresentou as novas fases até 2030, a integração das metas com compromissos climáticos do Acordo de Paris e em avançar em inspeção veicular e renovação da frota para garantir ar mais limpo e ganhos à Saúde Pública.
Fernanda Rezende, diretora executiva adjunta da Confederação Nacional de Transporte (CNT), discorreu que a descarbonização do transporte exige ação coordenada e na transição energética, com diversificação de fontes, como biometano, hidrogênio renovável, eletromobilidade, diesel verde e combustíveis sustentáveis, cada alternativa tem vantagens e limitações em autonomia, custos, emissões e infraestrutura de abastecimento, exigindo planejamento integrado para viabilidade técnica e econômica. Fernanda apontou gargalos na infraestrutura no Brasil: 64,85% das cargas são transportadas por rodovias, sendo apenas 12,4% pavimentadas, desperdiçando 1,18 bilhão de litros de combustível e emissões adicionais de 3,13 milhões de toneladas de CO2 por ano. Para ela, investir na recuperação e modernização da malha é fundamental para reduzir custos logísticos e emissões.
Contato das empresas
Engefluid: www.engefluid.com.br
Tecfil: www.tecfil.com.br