Publicidade

A gestão de resíduos deixou de ser apenas uma obrigação regulatória para se tornar uma variável estratégica nas empresas

Com 1,53 milhão de m³ vendidos no Brasil e operação de 9,6 milhões de litros por ano no Paraná, Acipar reforça coleta de embalagens e óleo usado


A gestão de resíduos deixou de ser apenas uma obrigação regulatória para se tornar uma variável estratégica nas empresas brasileiras — especialmente em setores de alta capilaridade e impacto ambiental, como o de lubrificantes. Em um país que registrou, em 2024, recorde histórico de vendas de 1,53 milhão de m³ do derivado do petróleo — consolidando-se como o quinto maior mercado do mundo — a destinação correta de embalagens plásticas e de óleo lubrificante usado ou contaminado (OLUC) tornou-se um desafio logístico e ambiental de grandes proporções.

No Brasil, o consumo de lubrificantes automotivos deve ultrapassar 1,04 bilhão de litros este ano. O mercado movimentou cerca de US$ 1,9 bilhão em 2024 e pode alcançar US$ 2,5 bilhões até 2033. O avanço da frota, o crescimento do segmento de motocicletas — com taxa anual próxima de 5,5% — e a expansão do agronegócio e da indústria ampliam não apenas o volume comercializado, mas também o passivo ambiental associado às embalagens e aos resíduos gerados.

É nesse contexto que iniciativas de logística reversa ganham relevância econômica e reputacional. No Paraná, a Acipar Lubrificantes, distribuidora com 53 anos de atuação, vem estruturando uma política consistente de coleta seletiva e destinação ambientalmente adequada.

Fundada em 1972, em Curitiba, a empresa começou distribuindo lubrificantes multimarcas e filtros. Desde 1989, mantém exclusividade na distribuição Mobil™ no Estado e hoje atua como distribuidora autorizada Moove para Lubrificantes Mobil™ e Tirreno. Com mais de 26 mil clientes cadastrados, responde por aproximadamente 10% do mercado paranaense e 40% no segmento de motos. Sua operação movimenta 800 mil litros por mês, ou 9,6 milhões de litros por ano, com crescimento de 45% nos últimos cinco anos.

 Logística reversa na prática

A Acipar integra o Instituto Jogue Limpo, entidade gestora responsável pela logística reversa de embalagens plásticas de óleo lubrificante usadas e de OLUC. O diferencial da operação está na capilaridade da coleta: a empresa recolhe não apenas embalagens da marca que distribui, mas de todas as marcas presentes nos pontos de venda atendidos.

“Não faz sentido falar em sustentabilidade de forma seletiva. Recolhemos as embalagens Mobil e também de outras marcas. O compromisso ambiental precisa ser sistêmico, não restrito ao portfólio que comercializamos”, afirma Luiz Alberto Gomes Jr., diretor-executivo da Acipar.

Os volumes coletados pela Acipar, medidos em quilos, refletem o avanço gradual da adesão dos clientes ao programa de descarte correto. O trabalho envolve orientação aos revendedores, organização de pontos de armazenamento temporário e integração com o sistema nacional de logística reversa.

Além das embalagens, a empresa mantém contrato com a Filtro Ville para a coleta semestral de óleo usado ou avariado gerado internamente. Embora o volume de OLUC na unidade seja reduzido — decorrente principalmente de avarias —, o material recebe destinação adequada. Outra frente envolve a coleta de resíduos sólidos contaminados, como estopas e serragens impregnadas de óleo, também encaminhados para empresas especializadas.

Pegada ambiental e responsabilidade corporativa

O impacto ambiental do descarte irregular de óleo lubrificante é significativo: um litro de óleo pode contaminar milhares de litros de água, comprometendo solos e recursos hídricos. No caso das embalagens plásticas, o desafio é duplo — envolve tanto a poluição quanto a emissão de carbono associada à produção de novas resinas.

A chamada “pegada ambiental” do setor inclui emissões logísticas, consumo de energia industrial e geração de resíduos. A logística reversa, quando estruturada, reduz a necessidade de matéria-prima virgem, evita contaminação ambiental e contribui para metas de ESG — cada vez mais observadas por investidores e cadeias globais.

Para Luiz Alberto, a agenda ambiental deixou de ser periférica. “Hoje, sustentabilidade é parte da estratégia de crescimento. Nossos clientes, especialmente frotistas, indústrias e empresas do agro, estão cada vez mais atentos ao destino dos resíduos. A responsabilidade compartilhada é uma exigência do mercado”, diz.

A companhia também aposta em soluções como a troca de óleo a granel, que reduz o uso de embalagens individuais e diminui a geração de resíduos plásticos ao longo da cadeia.

Crescimento com responsabilidade

A nova sede da Acipar, em Pinhais (PR), foi projetada para armazenar até 3 milhões de litros, ampliando a capacidade para sustentar a expansão pelos próximos dez anos. O investimento acompanha não apenas o crescimento do mercado, mas a necessidade de eficiência logística e conformidade ambiental.

Com cerca de 100 colaboradores e atuação nos segmentos automotivo, industrial, frotas e agronegócio, a empresa busca posicionar-se como referência regional não apenas em volume, mas em governança ambiental.

“O setor de lubrificantes é essencial para a economia brasileira — movimenta a indústria, o transporte e o campo. Mas junto com essa relevância vem a responsabilidade. Crescer, para nós, significa também estruturar corretamente o ciclo pós-consumo e contribuir para um modelo mais sustentável”, conclui o executivo.

Num mercado bilionário e em expansão, a coleta seletiva e a logística reversa deixam de ser custo adicional para se tornar ativo estratégico — um diferencial competitivo que pode definir a liderança nos próximos anos.

Sumi Costa <sumi_costa@conceitonoticias.com.br>

 

Publicidade