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Por Que Não Assumir A Liderança?

Certamente A Gestão Das Conseqüências Causadas Pela Atual Crise Deve Estar No Topo Das Prioridades De Dez Entre Dez Governos. Começou No Meio Financeiro Am


Certamente a gestão das conseqüências causadas pela atual crise deve estar no topo das prioridades de dez entre dez governos. Começou no meio financeiro americano, foi tomando vulto, invadiu a indústria, comércio, serviços, e imagino que hoje ocupe grande parte das mentes do planeta.

Entretanto não há como ignorar que os problemas relacionados ao aquecimento global e da oferta de energia, que precediam ao atual momento, continuam todos lá, à espera das aguardadas providências.

Temos ainda que considerar também que, por mais grave que seja a crise, em determinado momento ela deve relaxar e a economia voltar à atividade. Não sabemos exatamente quando isso vai ocorrer e como será a nova dinâmica, mas muito provavelmente estaremos vivendo um novo ciclo virtuoso, porém, em um planeta mais quente.

Se existe qualquer fato positivo a ser enxergado, o único que posso observar são as lições que a atual crise nos deixa. O próprio sistema financeiro mundial discute como serão suas novas regulamentações para que tudo não volte a ocorrer.

Mas existe outra, talvez menos perceptível, se por um lado a matriz energética mundial tem mostrado que seu uso aquece o nosso planeta. Por outro, mostrou que quando a demanda surgir com maior vigor, sua oferta pode ser escassa e seus preços absolutamente incontroláveis.

Todos nós sabemos, ou pelo menos já ouvimos falar, que um dos principais empecilhos no processo de inserção social em massa é justamente a sustentabilidade do planeta.

Uma constatação sobre isso foram as cotações do barril de petróleo antes da crise. Além de não sabermos exatamente ainda quanto custa para eliminar as causas de seu uso…

Deste modo, assim como tantos outros, eu também acredito que em meio às dificuldades sempre existem grandes oportunidades. E neste momento onde as prioridades foram exclusivamente tomadas pelos movimentos dos mercados, acredito que exista uma grande oportunidade para o Brasil.

Vejamos, o Brasil está vivendo um momento singular, beneficiou-se do estrondoso ciclo de crescimento econômico mundial dos últimos anos e ha mais de uma década, desde o combate à hiperinflação, vinha tomando ações responsáveis que acabaram nos colocando na pauta dos investimentos internacionais. Creio que pela primeira vez em meio a uma grande crise a expectativa internacional sobre o Brasil é positiva.
Poderíamos aproveitar este momento para assumir uma posição entre as lideranças internacionais, chamando para discussão sobre energias renováveis, sustentabilidade, redução nas emissões, etc.

O momento pré-crise demonstrou que o mundo precisa de alternativas energéticas. O modelo atual além de gerar problemas ambientais, ser insustentável, é responsável também por conflitos, sustentação de regimes ditadores, entre tantos outros aspectos e impactos.

O Brasil pela sua disponibilidade de recursos e pela sociedade científica presente, mas principalmente pela atualidade da nossa sociedade aos temas relacionados ao meio ambiente, teria totais condições de assumir uma posição de liderança no desenvolvimento de um novo sistema energético. Que pudesse atender as futuras gerações e servisse de modelo para outras nações.

Seriamos precursores de um novo momento, em atendimento a uma sociedade que busca e valoriza novos padrões de comportamento. Acredito que a geração de energia por meios sustentáveis e seu uso racional passa diretamente pelo caminho do desenvolvimento desta nova sociedade.

Imaginemos um cenário onde coabitaram fontes energéticas como, eólica, solar, biomassa, movimento de mares, etc. Todas geradas por pequenas e médias centrais, preferencialmente próximas ao seu consumo e explorando do modo mais eficiente possível os recursos locais, onde cada uma estivesse localizada, e todas interligadas entre si, possibilitando a inter distribuição.

Para ilustrar melhor, uso um exemplo já mencionado anteriormente por outros, teríamos um sistema similar ao da Internet. Onde existem: Quem cria conteúdo, quem distribui o serviço e o usuário escolhendo e contratando o serviço que melhor lhe atenda.
Os "geradores de conteúdo" proveriam a energia por diversos meios, os "provedores" de serviços receberiam o conteúdo (energia gerada) e disponibilizariam para nós, usuários, que faríamos nossas escolhas.

A integração de todas as matrizes entre si poderia resultar em um custo misto e acessível. A competição entre os "provedores de energia" acabaria criando muitos outros serviços e produtos para cativar a escolha do usuário. Assim como na Internet, a integração deste sistema poderia ser não só nacional como compartilhado também com outros países.

Indo um pouco mais adiante. Uma estação de energia solar instalada em uma indústria pode, por exemplo, gerar excessos durante o domingo – simplesmente por não operar. Quantidade que seria compartilhada com a "micro rede" para uso domiciliar. Por outro lado, esta mesma indústria poderia necessitar de energia à noite (…). Poderia receber pela mesma "micro rede" de uma estação eólica mais próxima, por exemplo. E assim por diante.

Claro que a leitura até aqui deve despertar a questão. Onde estariam os recursos para tais investimentos?

Bem, antes ainda de falarmos em investimentos, o Brasil precisa primeiro mostrar para si e ao mundo que pensa. Pensa no hoje e nas futuras gerações. Que pensa nos brasileiros e pensa também na humanidade. Que é inovador, criativo, formador de tendências e opiniões. Desenvolve soluções para séculos e não para ciclos.

Deste modo, precisamos antes ainda de qualquer capital, de um projeto e dispositivos regulatórios que permitam tal desenvolvimento.

Quanto aos recursos, estes devem partir majoritariamente da iniciativa privada. Mas se até pouco tempo dispúnhamos de recursos para financiar hipotecas que nunca seriam pagas, e hoje outro tanto aparece para remediar o estrago, não creio que faltem recursos para um projeto que seja sustentável tecnicamente, financeiramente e que proporcione estabilidade social em suas demandas para o presente e futuro.

 

http://blog.paulofernandez.com.br

 

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