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O gestor ambiental e a multidisciplinaridade


Data da notícia: 31/7/2010

Por Jetro Menezes*, da Plurale
 

 

A gestão ambiental é um tema novo para as Prefeituras e para as empresas. A contratação desse profissional não deve se pautar apenas por uma indicação política ou a contratação de um recém-formado na área. A diversidade cultural e a visão multidisciplinar do gestor ambiental é o fator mais importante na hora de contratar ou desenvolver um programa ambiental e isso serve para prefeituras e empresas.

Todos os programas de meio ambiente, sejam quais forem, precisam ter uma abrangência multidisciplinar do problema. Ou seja, o profissional responsável que irá implantar um programa ou desenvolver um estudo específico deve ter uma visão do todo, deve se posicionar de forma holística em relação ao projeto. E visão holística, multidisciplinar e diversidade cultural são fatores intrínsecos a qualquer atividade na área de meio ambiente.

Vamos a um exemplo prático: uma determinada indústria deseja implantar um programa de coleta seletiva. Para isso, determina entre os seus funcionários quem irá coordenar a ação. Este funcionário, a rigor, deverá planejar e implantar o treinamento dos funcionários; se possível, criar uma comissão ambiental; disponibilizar as lixeiras adequadas; disponibilizar local para armazenar os resíduos; verificar quem fará a coleta desses resíduos; apresentar números do programa para a empresa e sempre buscar novidades para divulgar para os colegas de trabalho para que o programa tenha adesão do maior número possível de pessoas.

Pois bem, é aqui que entra a visão multidisciplinar e a diversidade cultural do gestor. Um programa de coleta seletiva não é um fim em si mesmo. A coleta seletiva é parte de um plano de gestão integrada dos resíduos. Antes de implantar a coleta seletiva, o ideal é conhecer a classificação dos lixos gerados pela empresa. Para onde são destinados, quem coleta e pra onde leva. Além desses dados, quais as quantidades geradas, como é feito o controle desses resíduos pela empresa e como se dá a prestação de contas para os órgãos ambientais do Estado e local. Antes de elaborar o treinamento dos funcionários, é fundamental que estas questões estejam bem definidas. Uma empresa tem, entre os seus resíduos, na maioria das vezes: pneus, lâmpadas, pilhas e baterias, podas de arvores, entulho provenientes de reformas, graxa, óleo de cozinha, óleo combustível, papeis e embalagens em geral, entre outros. Às vezes, pode gerar produtos químicos contaminantes que devem ser transportados para o destino final adequado. Tudo isso, com prestação de contas de quem controla a entrada e saída na empresa e principalmente da empresa que efetua a coleta desses resíduos. A transportadora deve ser cadastrada e autorizada para este serviço.

Outra questão que não pode ser negligenciada é pensar no público interno, visitantes e principalmente na comunidade vizinha à empresa. Como é o bairro onde a empresa está inserida? Tem rios próximos? Como é a limpeza na cidade? Tem coleta seletiva? Tem cooperativa para doar os recicláveis? Existe um órgão de meio ambiente na cidade? Como a empresa poderá buscar uma parceria com este órgão? A relação da empresa com a Prefeitura é boa? E por aí vai...

Antes de iniciar qualquer ação em meio ambiente, o mais importante é a educação ambiental dos envolvidos. A conscientização daqueles que serão os multiplicadores, os atores principais nas ações da empresa ou do município para que um determinado programa ambiental tenha o resultado esperado.

Para isso, é importante que o profissional encarregado deste serviço seja competente e tenha experiência necessária para entender que um “simples” programa de coleta seletiva está muito além das lixeiras coloridas. Essa é a importância de consultar um profissional com visão multidisciplinar. E ficar seguro com os resultados.

*Jetro Menezes é Colunista de Plurale, colaborando com artigos sobre Sustentabilidade. Tem 42 anos, é Gestor Ambiental e Diretor de Meio Ambiente de Franco da Rocha/SP.

 

(Envolverde/Plurale)

 
 
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