Cummins Brasil prioriza tecnologia, diversificação de negócios e sustentabilidade
Data da notícia: 18/3/2010
Também freada pela crise financeira internacional, a Cummins Brasil já vislumbra recuperação e projeta 82 mil unidades para este ano, apenas 4 mil a menos que o seu recorde de 2008.
Em cenário contrastante ao do segmento de automóveis de passageiros e de comerciais leves, que corresponderam de imediato aos incentivos governamentais com a redução do IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados, o de pesados (caminhões e ônibus) - ao lado dos setores agrícola, industrial, marítimo, locomotivas e de geração de energia - sentiu as consequências negativas da crise financeira internacional, instalada em setembro de 2008.
Os reflexos atingiram a Cummins Brasil que, em 2009, produziu 60 mil motores, volume 30% inferior ao seu recorde histórico de 86 mil produtos no ano anterior. Quanto aos resultados financeiros, a empresa, na região da América Latina (exceto México), anotou queda de 26% em seu faturamento. Em 2008, a empresa chegou a US$ 1,3 bilhão contra US$ 962 milhões no ano passado. De qualquer maneira, a participação da Cummins Brasil nos negócios da Cummins Inc. passou de 9,4% em 2008 para 9,6% em 2009.
Na avaliação de Luis Afonso Pasquotto, diretor geral da Unidade de Negócios de Motores da Cummins América Latina, "por mais que o Governo Federal tivesse tomado medidas rápidas e eficazes, o empresariado brasileiro postergou investimentos, à espera de um cenário mais previsível e estável. Aliado a isso, todos sabem que o setor de caminhões, responsável por mais de 50% de nossa oferta de motores, historicamente possui ciclos de aquisições de novos equipamentos. E, em 2008, a Cummins Brasil havia acabado de bater seu recorde de vendas em quase 35 anos de atuação no mercado brasileiro".
"Por esse quadro", ainda segundo Pasquotto, "o ano de 2009 foi muito difícil para a Cummins Brasil, mas diante de outros mercados podemos afirmar que as unidades de negócios brasileiras se comportaram bem". Ao longo de 2009, por conta das incertezas, a Cummins reduziu seu quadro de funcionários em 9% - de 1.634 postos para 1.444 -, embora a queda de produção tenha sido de 30%. "Tivemos de sacrificar 190 empregos. Mas, nesses dois meses e meio, já contratamos 173 trabalhadores e, com a retomada do terceiro turno no final deste mês, abriremos novos postos de trabalho", anuncia Pasquotto.
No comparativo fragmentado por produção, vendas e exportação, entre os principais players do setor brasileiro no mercado de caminhões, os resultados da Cummins Brasil tiveram um desempenho em média 6% melhor que o setor. Enquanto o mercado caiu 26% na produção, a Cummins registrou queda de 20%; em vendas -2% contra -10% e, no capítulo exportação, o setor amargou -65% e a Cummins -60%.
Diante desse comportamento setorial, a Cummins Brasil - em 2009 - manteve pelo quarto ano consecutivo a liderança na produção de motores para caminhões, com 36% de participação no mercado nacional, 4 pontos porcentuais mais em relação ao segundo "player" .
"Armas" da recuperação - A reação dos mercados brasileiro e latinoamericano, no primeiro bimestre do ano, já indica a retomada do crescimento dos negócios da Cummins em 2010. As projeções iniciais somente de produção de motores, responsáveis por mais de 50% do faturamento da companhia, apontam para o patamar de 82 mil unidades.
Na realidade, mais do que a reação do mercado regional, a Cummins Brasil - na opinião de Luis Chain Faraj, gerente executivo de Marketing e Engenharia de Clientes - coleciona uma série de "armas" e fatos mercadológicos que podem assegurar a manutenção da liderança no setor de caminhões, com soluções integradas, desde a entrada do ar até a saída dos gases de escape, e também avançar em outros segmentos como o agrícola, marítimo, óleo & gás, mineração e máquinas de construção.
"Nos próximos dez anos, o Brasil sedia dois megaeventos - a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 - e também o programa do Pré-Sal, que vão demandar investimentos de infraestrutura. Além disso, teremos a implantação do Euro 5/Proconve 7, legislação de emissões, e ainda o avanço do uso do Biodiesel", explica Chain, para quem no atendimento a essas demandas a Cummins Brasil está muito à frente da concorrência.
Maior fabricante independente de motores Diesel do mundo, a Cummins Brasil prioriza trabalhar no País com tecnologia agregada em produtos e serviços e também na diversificação de negócios. Recentemente, a empresa lançou os motores ISF2.8 (da linha High Speed Diesel, motores diesel de rápido giro) e o ISF3.8, respectivamente com 163 cv e 167 cv de potência, além dos motores eletrônicos que atendem ao E5/P7 - modelos ISB 4.5 litros, ISB 6.7 litros e ISL 8.9 litros.
Em complemento ao atendimento das novas legislações de emissões, que passam a valer a partir de 1º de janeiro de 2012, a Cummins Brasil entra também na distribuição do Arla-32 - Agente Redutor Líquido de NOx Automotivo, em galões, tambores e contêineres (de 4 até 1.000 litros).
Os motores Cummins, alimentados com B20, pioneiros do programa brasileiro, também têm conquistado expressivo avanço. Seu desempenho está à altura de motores 100% Diesel e ganha na economicidade de combustível, o que significa redução do custo operacional de veículos pesados.
"Vários frotistas, a exemplo da Tetra Pak, Prefeitura Municipal de Curitiba ou até mesmo em empresas de geração de energia, utilizam o Biodiesel como fonte de alimentação. Nossos esforços estão concentrados agora na certificação do B20 também para os motores Euro V", argumentou Chain Faraj.
Investimentos - O programa de investimentos, em fomento à tecnologia e à produção, segue firme, cuja previsão, para 2010, é de US$ 20 milhões, em especial nas áreas de desenvolvimento de novos produtos e tecnologias (Euro5, Euro6), qualidade, capacidade produtiva, processos de fabricação e pós vendas.
Entre 2004 e 2009, a Cummins investiu cerca de US$ 120 milhões.
Cummins Inc. e Cummins Brasil
A Cummins foi fundada em 1919 por Clessie Cummins e W.G. Irwin, com o objetivo de produzir motores movidos a Diesel para caminhões e ônibus, que seriam mais econômicos e resistentes que os motores à gasolina disponíveis na época.
Uma pequena fábrica em Columbus, Indiana (EUA) , foi instalada, com a produção de motores estacionários para utilização em agricultura. No início, a empresa enfrentou diversas dificuldades e atravessou um longo período de prejuízos. Porém, durante a II Guerra Mundial, quando a Cummins Engine Company passou a fornecer para o exército norteamericano na Europa, seus motores ganharam espaço no mercado internacional.
A Cummins começou a espalhar-se pelo mundo, instalando 80 fábricas de motores, geradores e componentes e 5 mil pontos de serviços em 197 países. Hoje, é a maior fabricante independente de motores Diesel do mundo, sendo que a qualidade, a inovação e a alta tecnologia continuam como as principais características dos produtos que equipam caminhões, ônibus, barcos, tratores, colheitadeiras, trens e motores estacionários.
No início da década de 70, ao seguir a trajetória de alguns de seus grandes clientes mundiais, entre eles Komatsu e Ford, a norteamericana Cummins Engine Company se instalou no Brasil, atraída por novas oportunidades do mercado brasileiro. A subsidiária brasileira foi constituída legalmente em 1971, sob a razão social de "Cummins Brasil".
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